Educação no mundo

O que é o Pisa: o que ele mede, o que não mede e como ler o resultado de 2025

O Pisa avalia jovens de 15 anos em leitura, matemática e ciências — não avalia escolas, nem alunos, nem o conteúdo de uma série. Como funciona a escala, como o Brasil se saiu e como ler a divulgação de setembro sem cair na manchete apressada.

28 de agosto de 2026 · 6 min

Resposta curta: o Pisa é uma avaliação da OCDE aplicada a jovens de 15 anos em leitura, matemática e ciências. Ele não mede o conteúdo de uma série nem avalia escolas: mede se o jovem consegue usar o que sabe diante de uma situação que não veio pronta. É por isso que uma turma pode ter ido bem na prova bimestral e o país ir mal no Pisa sem contradição nenhuma.

Vale entender agora porque os resultados do Pisa 2025 saem em 8 de setembro de 2026, e a semana da divulgação costuma trazer uma enxurrada de manchetes com leituras apressadas.

O que o Pisa mede, e o que não mede

A sigla vem de Programme for International Student Assessment. A escolha da idade, e não da série, é proposital: aos 15 anos o estudante está perto do fim da escolaridade obrigatória em boa parte dos países, e comparar por série seria comparar sistemas com estruturas diferentes. No Brasil, 54% dos avaliados em 2022 estavam no 1º ano do ensino médio; o restante estava em outras séries.

  • Mede: a capacidade de interpretar, decidir e justificar diante de uma situação nova. As questões descrevem contextos do cotidiano e pedem que o aluno escolha o caminho, e não que aplique uma fórmula anunciada no enunciado.
  • Não mede: o cumprimento da BNCC, a qualidade de uma escola específica, o desempenho de um professor ou o aprendizado de um aluno em particular.

O Pisa é amostral. Nenhuma escola brasileira recebe nota do Pisa, e nenhum aluno recebe resultado individual. Para acompanhar a sua rede, os instrumentos são outros: Saeb, Ideb e as avaliações da própria secretaria.

Como funciona a escala

O resultado sai em pontos, numa escala com média em torno de 500 e desvio padrão de cerca de 100. Mais útil do que a pontuação, porém, são os níveis de proficiência, de 1 a 6. O corte que importa é o nível 2, que a OCDE trata como o mínimo para participar plenamente da vida em sociedade.

Um aluno no nível 2 de matemática consegue, sem instrução direta, reconhecer como uma situação simples pode ser representada matematicamente: comparar a distância total de dois trajetos, converter preços em outra moeda. Não é um patamar alto. É o chão.

Como o Brasil se saiu no Pisa 2022

ÁreaBrasilMédia OCDEAlunos no nível 2 ou acima
Matemática37947227% (OCDE: 69%)
Leitura41047650% (OCDE: 74%)
Ciências40348545% (OCDE: 76%)

Os resultados de 2022 ficaram praticamente iguais aos de 2018, e desde 2009 as oscilações têm sido pequenas e, na maioria, sem significância estatística. No topo da escala, 1% dos estudantes brasileiros chegou aos níveis 5 ou 6 em matemática, contra 9% na média da OCDE. Em Singapura, o país que liderou as três áreas, foram 41%.

A armadilha de leitura mais comum

Toda divulgação do Pisa produz a mesma manchete: a média não subiu. É verdade, e é incompleto. O teste alcança quem tem 15 anos e está na escola. Em 2003, 45% dos jovens brasileiros de 15 anos não estavam representados na amostra. Em 2022, esse número caiu para 24%.

Considerando a população inteira de 15 anos, e não só quem sentou na prova, a proporção de jovens brasileiros acima do nível básico em matemática passou de 14% em 2003 para 20% em 2022. Ou seja: a média ficou parada enquanto o país incluía no teste uma parcela muito maior da sua juventude. Sistema que inclui mais tende a puxar a média para baixo antes de puxá-la para cima. As duas leituras são verdadeiras, e só uma costuma virar manchete.

Isso não transforma o resultado em boa notícia. Transforma em um resultado que precisa ser lido junto com a cobertura, e não sozinho.

O que muda no Pisa 2025

A edição de 2025 foi aplicada no ano passado e é a maior já feita. Os primeiros resultados serão divulgados pela OCDE em 8 de setembro de 2026, em Paris.

  • Ciências é a área principal. Cada edição aprofunda uma área; em 2022 foi matemática, em 2025 é ciências, com leitura e matemática como áreas secundárias.
  • Escala maior. Mais de 760 mil estudantes em 91 países e economias, contra cerca de 690 mil em 81 sistemas em 2022.
  • Aprendizagem no Mundo Digital. É o domínio inovador da edição, e avalia a construção de conhecimento e a resolução de problemas com ferramentas computacionais.
  • Inteligência artificial. Pela primeira vez o relatório traz evidências sobre como os estudantes usam IA nas tarefas escolares. É o dado internacional que faltava para a discussão que já acontece em toda sala de professores, e sobre a qual escrevemos em alunos usando IA nos trabalhos.
  • Novo intervalo. A partir de 2025 o Pisa passa a ser quadrienal. A próxima edição está prevista para 2029.

No Brasil, a aplicação foi digital, com exceção dos questionários dos pais, e envolveu 10.798 estudantes de 599 escolas das redes pública e privada. O Inep é o responsável pela tradução dos instrumentos, pela aplicação, pela codificação das respostas e pelo relatório nacional.

Como ler a divulgação de setembro sem se enganar

  1. Olhe o nível, não só a média. Saber quantos alunos estão abaixo do nível 2 diz muito mais sobre o que precisa mudar do que a diferença de três pontos na média.
  2. Confira se a comparação é com 2022 ou com o pico histórico. Quase todos os sistemas caíram entre 2018 e 2022, inclusive os do topo. Comparar 2025 com 2018 e comparar com 2022 dá manchetes opostas.
  3. Desconfie de ranking sem margem de erro. As estimativas do Pisa vêm com intervalo de confiança, e várias posições vizinhas são estatisticamente empatadas.
  4. Área principal muda a comparabilidade. Ciências é a área aprofundada em 2025, então é dela que virão os recortes mais detalhados.

O que o Pisa diz para quem está em sala

Menos do que se costuma supor, e ainda assim algo útil. O Pisa 2022 mostrou que, no Brasil, 74% dos alunos consideram que o professor demonstra interesse pela aprendizagem de cada um, contra 63% na média da OCDE. E mostrou que sistemas nos quais mais alunos dizem receber ajuda extra do professor tiveram queda menor em matemática ao longo de dez anos.

Traduzindo: o indicador que mais se associou a resultado resistente não foi tecnologia nem currículo novo, foi o professor conseguir dar atenção a quem estava ficando para trás. Isso exige tempo, que é exatamente o que a rotina de preparo consome. Se quiser aprofundar o lado brasileiro dos números, veja educação no Brasil e no mundo.

Fontes

Resultados de 2022: OCDE, ficha de resultados do Pisa 2022 para o Brasil, divulgada em 5 de dezembro de 2023. Data, escopo e novidades do Pisa 2025: OCDE, anúncio do lançamento internacional do relatório, e Inep, informações sobre a aplicação no Brasil. Esta página será atualizada com os números de 2025 após a divulgação. Página oficial do Pisa na OCDE.

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