Revisado por Isabella Ruas, educadora e cocriadora do ProfeAI.
17 de agosto de 2026 · 9 min de leitura
Resposta curta: são 10, valem para a Educação Básica inteira, não têm código nem ano, e você não dá aula de competência geral. Elas são o horizonte para onde as habilidades apontam. Se a coordenação pede a competência no plano, o que ela quer saber é para que serve aquela aula além do conteúdo.
Por que elas confundem
A BNCC abre com as competências gerais, em linguagem elevada, e só depois desce para as habilidades com código. Quem lê na ordem sai com a impressão de que precisa dar conta das dez o tempo todo. Não precisa, e nem seria possível.
A confusão tem uma origem prática: muitos formulários de plano de aula têm um campo chamado "competências" logo acima do campo "habilidades". Preenchido às pressas, ele vira uma lista decorativa, copiada igual em todos os planos do ano. Isso não ajuda ninguém, e principalmente não ajuda você a explicar por que aquela aula existe.
As 10, em português claro
Os nomes abaixo são os que a própria BNCC usa como título de cada competência. A segunda linha é a tradução para o que isso significa na prática de sala.
| # | Competência | O que significa na aula |
|---|---|---|
| 1 | Conhecimento | Usar o que já foi aprendido, e não só acumular conteúdo novo. |
| 2 | Pensamento científico, crítico e criativo | Investigar, levantar hipótese, testar e mudar de ideia diante da evidência. |
| 3 | Repertório cultural | Conhecer e produzir manifestações artísticas e culturais, inclusive as locais. |
| 4 | Comunicação | Expressar-se em várias linguagens: escrita, oral, corporal, visual, matemática. |
| 5 | Cultura digital | Usar tecnologia de forma crítica e ética, não apenas operar aparelho. |
| 6 | Trabalho e projeto de vida | Relacionar o que se estuda com escolhas de futuro e com o mundo do trabalho. |
| 7 | Argumentação | Defender ponto de vista com base em fato, e não em opinião solta. |
| 8 | Autoconhecimento e autocuidado | Reconhecer emoções, limites e cuidar da própria saúde física e mental. |
| 9 | Empatia e cooperação | Ouvir, trabalhar junto, resolver conflito sem anular o outro. |
| 10 | Responsabilidade e cidadania | Agir com autonomia e responsabilidade na escola e fora dela. |
Competência geral não é habilidade, e a diferença é prática
A habilidade tem código, ano e componente. A competência geral não tem nenhum dos três. Isso muda o que você faz com cada uma:
- Da habilidade sai a aula. Ela diz o que o aluno precisa ser capaz de fazer, e dá para verificar ao fim da aula se ele faz ou não.
- Da competência sai o sentido. Ela responde por que vale a pena, e não se verifica numa aula: se percebe ao longo de anos.
Um exemplo. A habilidade escolhida é sobre identificar a ideia central de um texto. A competência geral por trás pode ser a de Comunicação, se o foco é compreender e se expressar, ou a de Argumentação, se a aula termina com os alunos defendendo uma leitura do texto. A mesma habilidade, dois horizontes diferentes, porque o que muda é o que você faz com ela.
Se essa distinção ainda parece embaçada, ela tem um terceiro elemento que costuma entrar na confusão, e que tratamos em competência, habilidade e objeto de conhecimento.
Como preencher o campo sem inventar
Quando o formulário da escola pede a competência geral, três perguntas resolvem em menos de um minuto:
- O que o aluno vai fazer nesta aula? Não o que vai aprender: o que vai fazer. Ler, medir, discutir, montar, apresentar.
- Esse fazer treina qual capacidade de longo prazo? Discutir com base em dado treina argumentação. Apresentar para a turma treina comunicação. Trabalhar em grupo com conflito real treina empatia e cooperação.
- Uma só basta? Sim. Duas, no máximo. Listar as dez é o mesmo que não listar nenhuma.
Não existe exigência nacional de citar competências gerais em cada plano de aula. Quem define isso é a rede ou a escola. Se a sua pede, vale confirmar o formato esperado antes de padronizar o ano inteiro.
As que você já desenvolve sem chamar assim
Esta é a parte que costuma aliviar. Boa parte das competências gerais já acontece na sua aula, e o trabalho é reconhecer, não criar:
- Combinar regras de convivência no início do ano é responsabilidade e cidadania.
- Pedir que o aluno explique como chegou ao resultado é pensamento científico, crítico e criativo.
- Trabalhar uma festa, uma música ou uma história da comunidade é repertório cultural.
- Conversar sobre o que fazer diante de uma mensagem ofensiva no grupo da turma é cultura digital e empatia e cooperação ao mesmo tempo.
Nada disso exige atividade nova. Exige nomear o que já existe, que é justamente o que o documento pede quando fala em desenvolver competências ao longo da Educação Básica.
Onde isso se conecta com o resto
As competências gerais não substituem a escolha da habilidade, que continua sendo o ponto de partida do plano. Para achar a habilidade certa por código, ano ou palavra, a consulta às 1.580 habilidades da BNCC é gratuita e não pede cadastro. Para entender a lógica dos códigos, o guia da BNCC explica letra por letra. E para transformar a habilidade escolhida em aula, o caminho está no plano de aula alinhado à BNCC.
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